O nascimento de uma criança é um momento repleto de expectativas: chá revelação, nome do bebê, quartinho aconchegante, enxoval colorido. Com o preparo familiar para a chegada de uma nova vida, efetivamente, poucas pessoas cogitam que seus filhos poderão nascer com uma síndrome ou uma doença crônica.
Entretanto, ao longo do desenvolvimento infantil, a escola e a família normalmente identificam que algo está fora do que se considera normal para aquela faixa etária. E, após a suspeita inicial, começa um longo processo de investigação – até o fechamento do laudo definitivo.
Nesse ínterim, muitos pais têm esperança que se trata de um problema mais simples, criam expectativas que os sintomas apresentados são transitórios, ainda que haja evidências claras.
Nesse contexto, o momento do diagnóstico é permeado por um leque de sentimentos, que envolvem tristeza, espanto, insegurança, culpa e falta de esperança. O choque inicial pode ser tão intenso que compromete a aceitação da criança, inclusive, entre os demais familiares, e pode interferir na relação conjugal, sendo necessário um período longo de enfrentamento e adaptação.
Carregado de medo, o diagnóstico tantas vezes é informado de forma fria e direta, sem uma preparação prévia à notícia. Além disso, há inúmeros preconceitos advindos da falta de informações e da não aceitação da doença.
Então, sim, a notícia de que um filho é autista pode ser, inicialmente, devastadora no seio familiar. Sabe-se que não há cura para o autismo, mas é importante destacar que é possível evolução na motricidade, na comunicação e nas conexões interpessoais, o que permite a quebra de paradigmas e a inserção social.
Juliana Alves
Licenciada em Letras e Mestre em Linguística pela Universidade de Brasília
Pedagoga pela Universidade Católica
